Vida de aluno não é fácil. Logo que decide entrar numa academia para fazer atividade física se depara com obstáculos bastante importantes, como “achar” um horário para treinar, enfrentar o trânsito para chegar ao local, escolher o melhor programa de treinamento e, principalmente, escolher a academia ideal. Há, nesta última tarefa, uma dificuldade ainda maior, visto que a maioria dos potenciais frequentadores de academias não possui os critérios adequados para fazer sua escolha entre tantas academias que inauguram todos os dias nas cidades brasileiras. Vamos a eles.
Primeira regra: não se matricule numa academia pelo nome, nem o faça antes de visitar pelo menos 3 opções que sejam convenientes pela localização. Ao optar por uma academia longe de sua casa ou trabalho, você deve estar consciente de que há um grande risco de desistir após as primeiras semanas de estresse no trânsito e horários apertados. Ao visitá-las, preste atenção nos fatores a seguir.
Atendimento – o mais importante
Numa época em que a concorrência é selvagem, as melhores empresas investem cada vez mais no treinamento das pessoas que atendem os clientes, incluindo os professores, alma da prestação de serviços no setor. Faça uma comparação entre as academias visitadas e anote quanto tempo ficou esperando para ser atendido, o número de funcionários à sua disposição, a organização e apresentação dos funcionários e professores, o grau de cortesia e carinho ao visitante e sua identificação com essas pessoas. Lembre-se de que você terá que conviver muito com elas daqui para a frente.
Estrutura – higiene é fundamental
O tamanho de uma academia não define o padrão de limpeza e cuidado na manutenção de espaços e equipamentos. Uma pesquisa feita pela Disney, mostrou que as pessoas tendem a dar mais valor para a higiene, organização e funcionamento de um parque do que ao tamanho, personagens e outros aspectos que eram tidos como os mais importantes. Veja qual das academias visitadas mais atende à maneira como você gosta de viver. O conforto é cada vez mais um item de extrema importância na vida contemporânea. Não se deixe levar pelas marcas ou quantidade dos equipamentos, nem sempre isso fará deles a melhor opção para suas necessidades.
Oferta de Atividades – cada pessoa tem sua preferência
O segredo de frequentar uma academia por muito tempo e conquistar os melhores resultados é o prazer. O destino certo de quem faz alguma coisa por necessidade ou obrigação é a frustração ou mesmo a desistência. O exercício, ou programa de ginástica escolhido, deve ser aquele que gera o mais alto grau de satisfação, o que mais motiva, o que mais emociona, o que dá vontade de fazer no dia seguinte. É nítido que quanto mais opções a academia oferecer, maiores as chances de que você encontre aquilo que realmente faz sua cabeça. Há muitas opções para que você adore fazer ginástica, pode acreditar nisso.
Profissionais – veja a quem entregará a responsabilidade sobre seu sucesso
Não é só o corpo que importa. O seu bem-estar geral, estado psicológico, vontade de viver e cuidar mais de si, sua saúde, o prazer em estar ali, tudo isso é fundamental para que se aproxime mais de seus sonhos. Portanto, professores tecnicistas, que usam termos difíceis e querem parecer os maiores conhecedores do corpo humano e do treinamento, não são os que realmente farão a diferença. O verdadeiro profissional não precisa mostrar o que sabe, mas fará com que você se sinta bem, e é isso que importa. Se fosse simplesmente para receitar exercícios e suplementos, você não precisaria de um professor, bastaria um vídeo informativo. Escolha aqueles que entendem o ser humano como um todo, no seu estado cognitivo, psico-motor e sócio-afetivo e dão importância a você como pessoa, não como um amontoado de músculos e ossos que precisam ser bonitos. De posse destes critérios, estou seguro de que você poderá fazer uma boa escolha e ter sucesso na prática da atividade física, prolongando seu tempo de vida e sendo mais feliz.
Esteja sempre em forma!
A mídia e a malhação
É certo que a atividade física organizada passou por um longo processo de evolução durante as últimas décadas. É igualmente verdadeiro que, por meio de sua versão mais sedutora – a que rola dentro das academias – vem freqüentando com surpreendente assiduidade as páginas de veículos de informação, além de considerável presença na mídia eletrônica, dividida entre televisão e Internet. Certamente essa constatação enche de orgulho e satisfação os que, como nós, vivem deste segmento e colaboram para seu crescimento, mas ao mesmo tempo preocupa, visto que passamos a ser utilizados como ferramenta para despertar o ímpeto sensacionalista que alavanca as vendas de revistas e a audiência de programas a qualquer preço.
Sem intencionar abrir polêmicas pouco interessantes, nossa preocupação é com relação à maneira como o grande público, leitor ou telespectador – o potencial praticante – recebe essas informações. Existe um verdadeiro abismo entre o que temos comprovado com relação ao trabalho científico na atividade física e o que constantemente é divulgado em revistas, jornais e canais de televisão. Há uma forte tendência por quem produz as matérias em amplificar tanto os efeitos positivos do exercício freqüente, transformando-o numa espécie de salvador da pátria, como os riscos. Enumeramos alguns fatores que geram equívocos em profissionais de imprensa:
1. É fundamental, na preparação de artigos e matérias sobre qualquer assunto, uma cautelosa escolha das fontes consultadas, havendo absoluta necessidade de averiguação do histórico, das realizações e das intenções de profissionais que, com grande freqüência, manifestam-se de forma tendenciosa, aproveitando o canal aberto para defender seus interesses comerciais camuflados sob a chamada “opinião profissional”. Existe hoje perigosa insistência da imprensa com antigas fontes, nomes trabalhados pelo marketing e associados à medicina, o que parece gerar uma sensação maior de credibilidade.
2. A variedade de opiniões é, muitas vezes, deixada de lado em nome da agilidade e velocidade na produção da matéria.
3. Existe uma percepção, por parte de muitos da imprensa, de que uma matéria sobre atividade física deve vir acompanhada de tabelas de comparação, gasto calórico, conclusões definitivas e novas verdades. Há inúmeros assuntos ainda inconclusivos, nos quais uma tentativa de definição provocaria mais erros que acertos, assim, é inútil comparar formas de exercício. O mais importante é o que se adapta aos valores e vontades do praticante.
4. Na busca voraz por novidades, lançamentos e furos de reportagem, mostra-se velhas receitas com novos nomes, promove-se o “modal efêmero” à condição de “novas tendências”, desvaloriza-se a consistência pelo fato de não ser notícia e fere-se o serviço ao consumidor.
É definitivo que o profissional apto a depor sobre as conseqüências do exercício é aquele que dedicou a vida ao mesmo. Fato que o credencia em gênero, número e grau acima dos profissionais da medicina, muitas vezes leigos no que diz respeito aos efeitos do esforço e possibilidades relativas ao treino. Nosso esforço é, hoje, no sentido de trazer mais e mais adeptos à prática do exercício, o que dispensa reportagens sensacionalistas sobre os perigos da corrida ou possibilidade do vício relacionado à atividade física (quem dera mais gente estivesse “viciada” em exercício).
