O que é a acne?
A acne juvenil é uma doença do folículo pilo-sebáceo (unidade da pele formada por um pêlo e por uma glândula sebácea anexa) que surge na puberdade em quase todos os adolescentes de ambos os sexos devido à presença dos hormônios sexuais.
A acne ocorre em todas as raças, porém com menor intensidade em negros e orientais, e costuma ser mais grave no sexo masculino.
Existe uma tendência hereditária ou predisposição genética na acne, ou seja, quando ambos os pais tiveram um quadro de acne, a chance do filho a ter acne é de 50%.
A acne pode persistir após a adolescência ou surgir na idade adulta, quadro mais freqüente em mulheres, em que geralmente há distúrbios hormonais envolvidos.
Formação da acne
Existem 4 distúrbios locais na pele que favorecem o aparecimento da acne:
1. Formação de micro-comedos (cravos): durante a puberdade, há um excesso de produção de queratina pelas células da pele no folículo piloso, que causa a obstrução do orifício folicular e a formação dos comedões ou cravos;
2. Aumento da secreção de sebo: devido a ação dos hormônios andrógenos (principalmente a testosterona), na adolescência as glândulas sebáceas produzem um excesso de sebo.
3. Proliferação de bactérias: as bactérias também participam do quadro de acne, principalmente a Propionibacterium acnes que se localiza no folículo piloso da pele de todos os pacientes com acne; essa bactéria age sobre o sebo transformando-o em um agente irritante para a parede do folículo piloso.
4. Inflamação local: resultante da pressão do sebo acumulado que rompe a parede do folículo e da irritação local que seus elementos produzem, além da ação dos microorganismos ( bactérias).
Tipos de Espinhas
A acne apresenta diversos tipos de lesões de acordo com o grau da doença. Ela pode se apresentar tanto na face quanto no peito e nas costas, locais com maior concentração de folículos pilo-sebáceos.
Obs.: Num mesmo paciente podem se encontrar, simultaneamente,todos esses elementos.
Existem basicamente 5 tipos de acne:
a) acne grau 1: aquela em que predominam os cravos, tanto os brancos quanto os pretos;
b) acne grau 2: já apresenta as pápulas (bolinhas vermelhas) e pústulas (bolinhas amarelas de pus)
c) acne grau 3: quando existem os nódulos inflamatórios, ou “espinhas internas”
d) acne grau 4: nódulos e abscessos que se comunicam formando verdadeiros canais que drenam pus e deixam cicatrizes, muitas vezes quelóides;
e) acne grau 5: quadro de acne grave em que há comprometimento sistêmico (o paciente chega a ficar doente, muitas vezes com febre e outros sintomas).
Tratamento
Apesar da acne juvenil ser um quadro auto-limitado, ou seja, na grande maioria dos casos ela desaparece a partir dos 20 anos, ela deve ser tratada para se evitar cicatrizes permanentes, e pelo impacto psicológico que ela causa na vida dos adolescentes.
O tratamento das acne visa controlar o excesso de oleosidade da pele, a formação dos comedões ou cravos, a população de bactérias presentes na pele, e a inflamação quando ela existir. Para isso, a higienização com produtos específicos é fundamental.
Ela pode ser feita com sabonetes e géis de limpeza, geralmente à base de enxofre e ácido salicílico e outras substâncias antissépticas.
Porém essa limpeza não deve ser excessiva (máximo de 2-3 vezes ao dia) pelo risco de irritação e ressecamento da pele. Além disso, o uso de sabonetes abrasivos e loções adstringentes também deve ser cauteloso pelos mesmos riscos.
O tratamento da acne pode ser feito com medicações de uso local ou via oral, ou mesmo tratamento combinado, dependendo do tipo e gravidade da acne.
Alguns medicamentos de uso local (géis, cremes, loções oil-free ) possuem substâncias que controlam o excesso de produção de queratina e do sebo (retinóides como exemplo o adapaleno), substâncias que diminuem a população de bactérias e a inflamação local, como é o caso dos antibióticos tópicos (como exemplo eritromicina) e do peróxido de benzoíla, que também provoca descamação superficial da pele e previne o aparecimento dos cravos.
Já o tratamento oral está indicado nos casos de acne inflamatória, e quando moderada pode-se indicar limeciclina, quando há lesões como “espinhas internas” e com pus, e ou nos casos de acne que não responderam ao tratamento tópico.
Casos de acne grave, ou que já esteja deixando cicatrizes, está indicado o uso da isotretinoína via oral. Há ainda o tratamento com anticoncepcionais, indicados para mulheres com distúrbios hormonais.
Deve-se entender que o resultado do tratamento não é imediato, requer tempo e a melhora não vai ser tão aparente até pelo menos 4 a 6 semanas ( ás vezes mais) desde o seu início. A manutenção desta terapia também é muito importante principalmente entre os adolescentes já que a doença tende a retornar sem a sua continuação.
IMPORTANTE: O tratamento nunca deve ser interrompido precocemente e sem a orientação do médico.
Cicatrizes das Espinhas
A espinhas, ou a acne inflamatória (aquela em que há pontos vermelhos e amarelos), não deve ser espremida ou manipulada.
Isso favorece a entrada de bactérias presentes na superfície da pele, mais inflamação, e conseqüentemente manchas e cicatrizes que podem ser permanentes.
A espinha pode levar alguns dias para cicatrizar, sendo que o uso de secativos pode ajudar na cicatrização
É de comum acordo que as cicatrizes de acne não são esteticamente aceitas e os pacientes em geral não gostam do aspecto que deixam na pele. Tratá-las é dificil, existem hoje múltiplos tratamentos disponíveis desde métodos cirurgicos, peelings químicos até o uso de lasers. Mas preveni-las através do tratamento precoce das espinhas ainda é a melhor conduta.
Por que procurar um dermatologista?
É muito comum que os jovens iniciem por conta própria, por indicação de conhecidos, ou mesmo por revistas, um tratamento para acne.
O problema é que nem sempre esse é o tipo de tratamento mais indicado àquele paciente, levando a uma falha na terapia. Isso poderá fazer com que o paciente sinta-se desestimulado e a achar que sua pele “não tem jeito”, ou que “nada melhora sua pele”; quando na verdade ele precisaria de um tratamento mais específico que atenda as necessidades do seu tipo de pele e do seu tipo de acne.
Diante dos variados tratamentos disponíveis, alguns deles tem potencial para irritar a ressecar a pele quando comparado a outros. Alguns exigem um cuidado maior com relação a exposição solar, enquanto que outros não. O médico especialista pode identificar e explicar os benefícios do tratamento e se há riscos ou possibilidade de efeitos adversos durante o uso do(s) medicamento(s).
Daí a importância de se procurar um dermatologista, que vai orientar o tratamento mais adequado para cada paciente.
